17 de janeiro de 2016

O caminho de Caim, prêmio de Balaão e a contradição de Coré

"Estes, porém, dizem mal do que não sabem; e, naquilo que naturalmente conhecem, como animais irracionais se corrompem. Ai deles! porque entraram pelo caminho de Caim, e foram levados pelo engano do prêmio de Balaão, e pereceram na contradição de Coré." Judas 1:10,11

O contexto dos versículos citados, trata da introdução de homens ímpios no meio cristão. Já na época deste escrito, haviam pessoas mal intencionadas desvirtuando os ensinamentos de Cristo para obterem vantagem. Essa afirmação pode ser constatada no verso 4.


"Porque se introduziram alguns, que já antes estavam escritos para este mesmo juízo, homens ímpios, que convertem em dissolução a graça de Deus, e negam a Deus, único dominador e Senhor nosso, Jesus Cristo." Judas 1:4

A seguir vamos explicar com a maior objetividade possível o que trata a comparação desses "homens ímpios" aos personagens citados.

O caminho de Caim

Gênesis 4 trata do primeiro assassinato registrado na Bíblia e para quem acredita na veracidade do livro, o primeiro assassinato da humanidade. 

Resumindo a história, Caim e Abel, irmãos mais velho e mais novo, respectivamente, foram apresentar ofertas ao Senhor. O Eterno se agradou de Abel e de sua oferta, porém, de Caim e de sua oferta Ele não se agradou, o que suscitou ira em Caim (Gênesis 4:4,5).

O resultado disso foi um plano e execução que culminou no assassinato de Abel pelas mãos do próprio irmão Caim. 

O caminho de Caim é o caminho do ódio, da inveja, da maquinação do mal. Pessoas que se infiltram no meio cristão e planejam o mal contra os irmãos de fé por ódio, inveja ou sabe-se lá porque. Não agradam a Deus na essência de sua adoração e preferem derrubar aos outros.

Prêmio de Balaão

Números 22 inicia a história de Balaão e Balaque. Balaque era rei dos moabitas e temeu o povo hebreu pelo que tinha feito a outras nações no caminho da terra prometida e mandou seus mensageiros com o prêmio em mãos a Balaão a fim de que ele amaldiçoasse o povo hebreu (Números 22:6-7). Após consulta ao Eterno, Balaão disse que não poderia amaldiçoar pois era um povo abençoado (Números 22:12-13). Curiosamente, mesmo após essa mensagem de Deus, Balaão insiste em ir e ocorreu o incidente com a jumenta, onde a mesma falou com ele após ser espancada por não seguir em frente, pois tinha visto um anjo com espada desembainhada (Números 22:21-35).

Mesmo com todos esses acontecimentos e mensagens, Balaão, embora não pudesse amaldiçoar o povo, fez questão de ensinar a Balaque como fazê-lo pecar. Temos uma referência interessante em Apocalipse.


"Mas algumas poucas coisas tenho contra ti, porque tens lá os que seguem a doutrina de Balaão, o qual ensinava Balaque a lançar tropeços diante dos filhos de Israel, para que comessem dos sacrifícios da idolatria, e fornicassem." Apocalipse 2:14


Com essa passagem conseguimos entender porque mesmo após as bênçãos de Balaão, o povo começou a se prostituir e fazer o que era mal em Números 25. Na verdade Balaão não pôde amaldiçoar, mas ensinou a maneira como Balaque poderia desviar o povo de Deus. 

Aqui podemos trazer uma lição de que determinados homens ímpios não amaldiçoam com os lábios, porém, introduzindo falsas doutrinas faz com que os cristãos se desviem da pureza e simplicidade do evangelho. Podemos ver a cada dia a proliferação de heresias dentro das denominações e as pessoas sendo arrastadas para longe do evangelho para aderirem práticas pagãs, por exemplo. Hoje em dia se dá mais importância a objetos e a líderes espirituais que as próprias Escrituras Sagradas. E grande parte desse desvio se dá porque esses ímpios almejam o prêmio, ou seja, o poder, a fama, as riquezas. Esqueceram do evangelho para salvar vidas e vivem luxuosamente às custas do engano em massa.

Contradição de Coré

Números 16 mostra a história de Coré, Datã e Abirão. Eram membros do serviço sagrado, porém, levados pela cobiça e a obstinação pelo poder, se levantaram contra Moisés e Arão juntamente com duzentos e cinquenta homens que eram príncipes da congregação (Números 16:2). Eles argumentavam que também eram santos e que Moisés e Arão estavam querendo ser melhores que todos (Números 16:3). A verdade é que Moisés e Arão haviam sido escolhidos pelo próprio Deus e Coré e os homens que o seguiam se achavam insignificantes, mesmo tendo o privilégio de contribuir no serviço sagrado (Números 16:8-11).

Resultado: Foram todos mortos com suas famílias, engolidos pela terra ainda vivos (Números 16:31-33).

Aqui vemos também pessoas obstinadas pelo poder a qualquer preço. Falar em tentativa de tomar sacerdócio hoje é irrelevante, pois todos fomos feitos sacerdotes reais perante Deus pela graça do Senhor Jesus, porém, podemos citar por exemplo, pessoas que querem assumir determinados postos a que não foram qualificados ou chamadas. Digo essas coisas não propriamente no âmbito denominacional e sim no âmbito espiritual. A pessoa não foi chamada para ser líder de ministério, mas quer a qualquer preço ocupar a função. A pessoa não foi chamada para aconselhamento, mas quer de qualquer maneira trabalhar com aconselhamento, entre outras coisas.

O pior de tudo aqui é a obstinação que não visa servir a Deus e sim se exaltar diante das pessoas, pois essa era a ideia de Coré ao levantar a rebelião. Ele já servia ao tabernáculo, porém, queria mais poder.

Conclusão

Temos que viver em constante vigilância para que não nos tornemos esses tipos de pessoas ímpias e tampouco venhamos a cair na lábia desses ímpios. Pessoas com ódio e desejo destrutivo acompanhado de ganância e busca pelo poder, pela glória dos homens, são nocivas a fé cristã.

Graça e paz.




Jesusmar Sousa Teixeira
E-mail: jesusmar@guardiaodafe.com


Empregado Público Federal, adoro escrever e faço isso em três blogs de minha autoria e edição.

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